Na loja, fiz uma boa ação e paguei as compras de uma pobre velhinha; em agradecimento, ela sussurrou baixinho: «Se o seu marido sair de casa esta noite e mandar limpar a neve, não toque em nada» 😱
No início, não dei nenhuma importância a essas palavras. Mas, de manhã, ao sair de casa, vi algo que me gelou por dentro… 😨☹️
Na fila do nosso mercado, eu estava ali, apertando o saco contra o peito e contando o dinheiro mentalmente. Do lado de fora, a nevasca era tão forte que quase não dava para ver a rua — a neve caía sem parar havia vários dias.
À minha frente, no caixa, estava uma velhinha. Ela remexia demoradamente na carteira, colocando as moedas no balcão, uma por uma.
A caixa olhou para o dinheiro com irritação e balançou a cabeça.
— Não é suficiente. Falta muito pouco.
A velhinha ficou constrangida e começou a contar as moedas novamente, como se esperasse que elas aumentassem sozinhas. As mãos dela estavam vermelhas, rachadas pelo frio.
Sem nem perceber, dei um passo à frente.
— Passe tudo junto com as minhas compras — disse, estendendo uma nota. — Eu pago.
A senhora ergueu lentamente os olhos para mim. Não havia lágrimas nem surpresa neles — apenas um olhar estranho, extremamente atento. Ela segurou a minha manga e disse baixinho, quase em sussurro:
— Se o seu marido sair esta noite e mandar limpar a neve, não toque em nada. Acredite em mim, será melhor para você.
Demorei a entender o que ela queria dizer. Apenas acenei com a cabeça. A velhinha soltou meu braço, assentiu e saiu rapidamente da loja, como se tivesse medo de ser impedida.
À noite, meu marido se preparou para sair. Estava de mau humor, resmungou e me ordenou que limpasse o quintal. Depois foi embora, batendo a porta.
Eu já tinha pegado a pá, mas de repente me lembrei das palavras da velhinha. Por algum motivo, elas soaram na minha cabeça de forma assustadoramente clara. E eu decidi não sair. Faria tudo de manhã.
Durante a noite, a nevasca só se intensificou.
E de manhã cedo, quando saí de casa, vi algo que me lançou em um verdadeiro pavor… 😱😨 Continuação no primeiro comentário 👇👇
A neve no quintal estava completamente lisa, intacta, como se alguém a tivesse alisado de propósito durante a noite. Nenhuma pegada, nenhum rastro de carro, nenhuma marca de passos.
Saí para a varanda e estremeci — não tanto por causa do frio, mas por aquela sensação estranha dentro de mim.
E então eu as vi.
Pequenas depressões na neve bem diante da entrada. Não eram pegadas, não. Como se alguém tivesse ficado parado ali por muito tempo. Parado, olhando para a porta. Agachei-me e passei a mão — a neve estava comprimida, mas não deslocada. Isso significava que tinha acontecido à noite, quando tudo já estava coberto.
Levantei-me bruscamente e olhei ao redor. Não havia ninguém.
Por algum motivo, as palavras da velhinha da loja voltaram à minha mente. Não como uma coincidência estranha, mas como um aviso que eu não havia compreendido naquele momento.
No mesmo dia, começaram a circular comentários pela rua. À noite, na casa vizinha, algo terrível havia acontecido. Alguém arrombou a porta, a casa foi assaltada, e os moradores não sobreviveram.
Eu ouvia tudo e sentia o frio subir lentamente por dentro.
Depois disseram que aquele homem andava de quintal em quintal. Verificava onde havia pessoas, onde havia luz acesa, onde a neve tinha sido limpa e ficava claro que os moradores saíam à noite.
A nossa casa, por algum motivo, ele ignorou.
Naquela manhã, não voltei a sair para o quintal. Fiquei simplesmente à janela, olhando para a neve intocada — a neve que me salvou da desgraça.


