No dia 31 de dezembro, meu filho me deu uma esfregona dizendo: «Para você não esquecer o seu lugar»; os convidados caíram na gargalhada, mas depois da meia-noite fiz um anúncio do qual eles se arrependeram amargamente 😨😢
31 de dezembro. Do lado de fora da janela da cozinha, grandes flocos de neve caem lentamente. Eles se depositam nos ramos dos abetos junto à cerca, no telhado da sauna e nos canteiros que cuidei durante todo o verão, com calma e dedicação. O inverno apaga as marcas, e o mundo lá fora parece silencioso e organizado.
Dentro de casa reina um silêncio familiar. É quente, denso, cheio do cheiro de massa, de pinho e do calor do fogão. Em momentos assim, a solidão aos oitenta e dois anos não pesa; pelo contrário, traz uma sensação de paz. Ouço o ranger do assoalho, ouço a casa responder — a casa que construímos juntos, eu e meu marido, há muitos anos. Meu marido já se foi há muito tempo, mas sua presença ainda é sentida entre estas paredes.
Sei que será por pouco tempo. Muito em breve a casa se encherá de vozes, passos, risadas e agitação. Meu filho Max chegará com a esposa, a filha deles e, junto, parentes e conhecidos. Ao todo, dezesseis pessoas. Sou eu quem cozinha para todos, como faço há muitos anos.
O frango já está dourando no forno. Sobre a mesa estão as tigelas de saladas, e as tortinhas de repolho e batata estão cuidadosamente dispostas sobre os panos. Tenho muito a fazer, mas tudo é familiar e não exige pensamentos extras.
Eles chegam fazendo barulho. Os freios rangem, as portas batem e, junto com o ar gelado, entram na casa as conversas e as risadas. Ninguém para para me abraçar. Apenas dou um passo para o lado, libero a passagem e volto para a cozinha. Este lugar há muito tempo se tornou o meu.
A festa começa por si só. Levo os pratos, organizo as travessas, sirvo as bebidas, retiro as tigelas vazias. À mesa, fazem-se brindes ao ano que termina, aos planos, à saúde. As taças tilintam sobre a toalha que bordei quando meu marido ainda era vivo. Eu escuto e fico em silêncio.
Depois de alguns brindes, Max se levanta da mesa. Ele fala mais alto do que o habitual, com segurança, como se soubesse de antemão que todos o escutariam. Anuncia que é hora dos presentes e se aproxima de mim com um pacote comprido nas mãos. O papel de presente farfalha quando ele o abre, e em suas mãos aparece uma esfregona.
Ele a estende para mim e diz:
— Para você não esquecer o seu lugar — disse em voz alta, para que todos ouvissem.
A sala explodiu em risadas. Alguém soltou uma gargalhada, alguém aplaudiu, a nora se virou fingindo ajeitar o guardanapo. Eu fiquei ali, segurando a esfregona, e os observei com a mesma calma com que olhava a neve do lado de fora da janela.
Exatamente à meia-noite, os gritos de «Feliz Ano Novo!» encheram a casa, o champanhe transbordou, alguém abraçou Max, alguém se inclinou em direção à nora.
Eu, porém, encostei a esfregona na parede, sequei lentamente as mãos com uma toalha e esperei até que a última badalada se dissolvesse no barulho. E foi exatamente nesse momento que fiz o anúncio, depois do qual eles se arrependeram profundamente do que haviam feito 😨😨 Continuação no primeiro comentário 👇👇
— E agora — disse eu calmamente, sem elevar a voz —, eu também tenho um anúncio a fazer.
As risadas cessaram. Alguém abaixou o copo com constrangimento. Percorri a mesa com o olhar, aquelas pessoas sentadas em uma casa que não lhes pertencia.
— Vendi esta casa hoje — continuei com tranquilidade. — Os documentos foram assinados esta manhã. O dinheiro já está na conta. A partir do primeiro de janeiro, vocês têm exatamente uma semana para arrumar as coisas e encontrar um novo lugar para as festas.
O silêncio tomou conta do ambiente, a ponto de se ouvir a cera pingando da vela.
Max empalideceu.
— Você está brincando? — conseguiu dizer.
Sorri, pela primeira vez naquela noite, de verdade.
— Não, meu filho. Eu apenas me lembrei do meu lugar. E decidi que ele não é mais aqui.
E, pela primeira vez em muitos anos, o meu Ano Novo não começou com cansaço, mas com alívio.


