No primeiro encontro, um homem exigiu que eu perdesse sete quilos para “estar à altura” dele: no encontro seguinte, apareci com uma fita métrica para medir alguma coisa nele 😲😢
Os dois primeiros encontros com Marco foram tranquilos e até agradáveis. Um restaurante pequeno, luz suave, ele se comportava de forma galante: puxava a cadeira, ouvia com atenção, fazia perguntas. Falava com segurança, bastante — sobre trabalho, projetos, parceiros. Era gerente em uma empresa internacional de construção, dirigia um bom carro, vestia-se caro e claramente estava acostumado a causar impressão.
Naquela época eu tinha 45 anos. Não sou modelo e nunca fui, mas tenho uma relação normal comigo mesma. Vou à academia, tento não comer qualquer coisa, cuido de mim. Altura: 1,70, roupa: tamanho 46. Eu me sentia confortável no meu corpo e, antes de conhecer Marco, nunca tinha pensado que poderia haver algo “errado” comigo.
A conversa que eu não esperava aconteceu no terceiro encontro, quando estávamos sentados em um café. Ele bebia café, eu chá. A conversa fluía facilmente, até que Marco de repente ficou em silêncio e passou a me olhar de forma atenta demais, avaliando.
— Eu gosto de você — disse ele. — Você é bonita.
Sorri, achando que viria um elogio.
— É que tenho muitos eventos importantes pela frente. Jantares de negócios, recepções, investidores. Lá, tudo precisa parecer… correto.
— Como assim? — perguntei.
— Bem… — ele hesitou um pouco — a mulher ao lado de um homem do meu nível precisa parecer perfeita. Você é legal, de verdade. Mas se perdesse um pouco de peso… uns cinco ou sete quilos — ficaria perfeito.
Por um segundo fiquei sem palavras. Depois olhei para ele com mais atenção. A camisa claramente apertada. A barriga que ele encolhia automaticamente ao se levantar. O queixo que, ao se inclinar para o telefone, ficava duplo.
— Ou seja — falei calmamente — para simplesmente estar ao seu lado, eu preciso mudar urgentemente o meu corpo?
— Por que você está levando para esse lado? — ele sorriu com condescendência. — Eu gosto de ordem. De perfeição. Isso também é bom para você.
Não discuti. Disse que pensaria, aleguei cansaço e fui para casa. Mas por dentro me senti mal e vazia.
Mesmo assim, fui ao quarto encontro. Não porque quisesse, mas porque decidi colocar tudo em seu devido lugar. Antes do encontro, entrei em uma loja e comprei uma fita métrica comum. Coloquei na bolsa e fui ao restaurante.
Sentamos perto da janela. Marco pediu carne e vinho. Eu pedi uma salada, porque já tinha comido.
— Fico feliz que você tenha me ouvido — disse ele, satisfeito. — A mulher deve valorizar o homem.
— Concordo — assenti. — Em um casal, a compatibilidade é importante.
Ele ficou tenso.
— Em que sentido?
Tirei a fita métrica da bolsa e a coloquei sobre a mesa. Marco olhou para ela como se eu tivesse tirado uma faca.
— O que é isso?
— Uma ferramenta muito simples. Levante-se, por favor. Preciso medir uma coisa. 😲😨
O que fiz em seguida, contei no primeiro comentário 👇👇
— Você está falando sério? Tem gente aqui.
— Está tudo bem, temos uma mesa reservada. Levante-se. Você é um homem confiante, não é?
Ele se levantou a contragosto.
— Levante os braços.
Calmamente, passei a fita métrica ao redor da cintura dele. Olhei os números.
— Cento e um centímetros, Marco.
— E daí? — ele tentou encolher a barriga.
— E daí — disse eu — que, segundo as normas médicas, para os homens, tudo acima de noventa e quatro já é um risco para a saúde.
Guardei a fita e olhei nos olhos dele.
— Se estamos falando de padrões e status, eles precisam ser recíprocos. Para mim, é importante que o homem ao meu lado seja saudável, ativo e cuide de si mesmo. Para estar à altura do meu nível de vida, você precisaria reduzir pelo menos dez centímetros.
Ao redor, tudo ficou muito silencioso. O rosto dele primeiro ficou vermelho, depois pálido.
— Você tem noção do que está dizendo? — sibilou ele. — Eu sou homem. Eu ganho dinheiro.
— E eu sou mulher — respondi. — E também ganho dinheiro. Mas não me permito dizer ao meu parceiro como ele deve ser, especialmente quando eu mesma estou longe do ideal.
Ele começou a dizer que eu era grosseira, que com esse caráter eu ficaria sozinha, que eu não entendia nada da vida.
Chamei o garçom e paguei apenas o meu pedido.
— Você pode ficar com a fita — disse eu, levantando-me. — É uma coisa útil. Quando estiver pronto para atender às mesmas exigências que faz aos outros, — não me ligue.
Saí do restaurante com uma sensação de leveza. Como se eu tivesse me livrado não de quilos a mais, mas de expectativas alheias, arrogância e complexos impostos.


