A rainha ordenou que cortassem as mãos de uma pobre camponesa, acusando-a de roubo, mas no último segundo antes da execução o rei percebeu algo estranho no pescoço da jovem e ordenou imediatamente a prisão da própria rainha 😱
A rainha sempre odiou uma pobre criada.
A jovem era silenciosa, trabalhadora e nunca discutia com os mais velhos. Seu nome era Marta. Ela acordava antes de todos, carregava água, limpava os aposentos reais, lavava cobertas pesadas e trabalhava o dia inteiro como se tivesse medo até mesmo de levantar os olhos.
Mas era justamente isso que irritava a rainha.
Ela não gostava que as pessoas simples do palácio sentissem pena de Marta. Não gostava que as criadas mais velhas chamassem a jovem de bondosa. E nem mesmo gostava do fato de que o rei certa vez havia parado no corredor e dito:
— Essa garota tem olhos muito bonitos.
Naquele momento a rainha sorriu, mas por dentro sentiu um frio percorrer seu corpo.
Desde aquele dia ela começou a olhar para Marta de outra forma. Cada passo da jovem lhe causava raiva. Se Marta derrubava um jarro, a rainha a chamava de desajeitada. Se Marta permanecia em silêncio, era acusada de insolência.
Todos no palácio entendiam que a rainha procurava um motivo para se livrar da pobre jovem, mas ninguém ousava interferir.
Certa manhã a rainha saiu para a horta do palácio. Ali cresciam os legumes destinados à cozinha real. Naquele momento Marta carregava um cesto de verduras que a velha cozinheira havia mandado colher.
A rainha parou e disse em voz alta:
— Ladra.
Marta congelou.
— Vossa Majestade, mandaram-me levar isso para a cozinha, — respondeu a jovem assustada.
Mas a rainha nem quis ouvir. Virou-se bruscamente para os guardas e ordenou:
— Joguem-na na masmorra. Ela roubou comida da horta real.
Marta empalideceu.
— Eu não roubei nada, eu juro. Mandaram-me pegar isso.
A velha cozinheira quis dar um passo à frente, mas um único olhar da rainha fez a mulher abaixar a cabeça. Todos no palácio sabiam que quem defendesse Marta acabaria em problemas também.
Ao anoitecer toda a cidade já comentava que a pobre criada havia roubado legumes do jardim real. As pessoas cochichavam nos mercados, perto dos poços e nos portões da cidade. Alguns sentiam pena da jovem, outros achavam que a lei deveria ser igual para todos.
E a lei naquele reino era terrível.
Por roubo, cortavam-se as mãos.
Para um nobre aquilo era uma vergonha. Para um camponês era o fim da vida, porque os pobres sobreviviam apenas graças às próprias mãos. Com elas aravam a terra, lavavam, costuravam, carregavam água e ganhavam um pedaço de pão.
No dia seguinte a praça principal estava lotada.
As pessoas vieram assistir ao castigo. Alguns permaneciam em silêncio, outros cochichavam, e alguns até subiram nos degraus de pedra para enxergar melhor. No centro da praça já estava um bloco de madeira. Ao lado dele estava o carrasco com um pesado machado.
Marta foi tirada da prisão usando um vestido velho, com as mãos amarradas. O rosto da jovem estava pálido, os olhos vermelhos de tanto chorar. Dois guardas a seguravam pelos braços e a conduziam enquanto a multidão se afastava.
— Eu sou inocente! — gritava Marta. — Eu não roubei nada.
Mas sua voz se perdia no barulho da praça.
Em um alto palanque estava sentada a rainha. Ela observava a jovem friamente, como se diante dela não estivesse uma pessoa viva, mas sujeira na estrada.
O rei estava ao lado dela, sombrio e cansado. Disseram-lhe que havia provas, que a criada fora pega com o cesto nas mãos e que a punição já havia sido determinada pela lei.
Ele não gostava dessas execuções, mas a rainha o convencia de que mostrar fraqueza diante dos ladrões destruiria a ordem do reino.
Marta foi colocada diante do bloco de madeira. A jovem tremia tanto que mal conseguia ficar em pé. O carrasco levantou o machado. Mas naquele instante o rei percebeu algo no pescoço da jovem e ordenou imediatamente que a rainha fosse presa. 😱 A continuação da história pode ser encontrada no primeiro comentário 👇👇
Naquele momento o vento arrancou do pescoço de Marta o fino tecido com o qual ela escondia um velho pingente.
O rei empalideceu de repente.
— Parem! — gritou ele tão alto que toda a praça ficou em silêncio.
O carrasco congelou com o machado levantado.
O rei desceu rapidamente do palanque e se aproximou da jovem. Seu olhar estava fixo no pequeno colar antigo em seu pescoço.
— De onde você tirou isso? — perguntou baixinho.
Marta olhou para ele assustada.
— É do meu pai.
O rei deu um passo mais perto.
— Onde ele está?
A jovem balançou a cabeça, e as lágrimas voltaram a escorrer por seu rosto.
— Eu não sei. Nunca o vi. Mamãe apenas dizia que essa era a única coisa que restou dele.
O rei pegou cuidadosamente o pingente nas mãos. Na parte interna havia um pequeno símbolo que nenhum estranho poderia conhecer. Aquela joia tinha sido encomendada por ele mesmo muitos anos antes para sua filha recém-nascida do primeiro casamento.
A mesma filha que, segundo a rainha, havia morrido afogada no rio ainda bebê.
O rei virou-se lentamente para a rainha.
— Como esse colar da minha filha foi parar no pescoço dessa jovem?
O rosto da rainha mudou.
— Isso é impossível, — disse ela. — Aquela menina morreu há muito tempo.
Mas naquele instante uma velha mulher saiu da multidão. Era uma antiga criada do palácio que havia sido expulsa do castelo muitos anos antes.
A mulher caiu de joelhos e disse:
— Perdoe-me, meu rei. Fiquei calada por tempo demais.
A multidão congelou.
A velha contou que muitos anos antes a rainha ordenara que se livrassem do bebê porque tinha medo de que a filha da primeira esposa um dia se tornasse herdeira do trono. A criada deveria levar a criança até o rio, mas no último segundo não conseguiu fazer aquilo. Em vez disso, entregou a menina a uma família pobre fora da cidade e implorou que a criassem como se fosse filha deles.
O rei ouvia tudo sem conseguir pronunciar uma palavra.
Depois voltou a olhar para Marta.
— Libertem-na, — ordenou. — Imediatamente.
Os guardas soltaram as mãos da jovem. O rei virou-se para os soldados e apontou para a rainha.
— E prendam-na.
A rainha levantou-se de repente.
— Você não ousaria!
Marta estava no meio da praça sem entender o que estava acontecendo. Um momento antes ela estava prestes a perder tudo, e agora o próprio rei olhava para ela como se tivesse encontrado aquilo que procurava durante toda a vida.

