Depois de um turno exaustivo, uma enfermeira cansada entrou por engano no carro do xeque mais perigoso e adormeceu no banco de trás. Mas, poucos minutos depois, ouviu por acaso o xeque dar uma ordem ao motorista em árabe, convencido de que a jovem não entenderia nada de qualquer forma 😨
Leila saiu da clínica particular quase às onze da noite.
Aquele dia tinha sido muito mais difícil do que o normal. De manhã, uma das enfermeiras não apareceu para trabalhar, por isso Leila teve de trabalhar por duas. Durante quase todo o dia, correu de quarto em quarto, trocou soros, ajudou os médicos e passou várias horas ao lado de uma senhora idosa depois de uma operação complicada.
Perto do fim do turno, vários outros pacientes foram levados inesperadamente para a clínica, por isso, mais uma vez, Leila não conseguiu sair a horas.
Quando finalmente saiu para a rua, as pernas doíam-lhe e os olhos quase se fechavam sozinhos.
A jovem não se trocou. Continuou com o uniforme médico branco, pegou nas suas coisas e chamou um táxi através de uma aplicação.
Poucos minutos depois, o telefone mostrou que o motorista já tinha chegado.
Em frente à entrada da clínica estavam vários carros pretos e luxuosos. Leila olhou para o ecrã do telefone, depois para os carros, e reparou num deles com a porta traseira aberta.
Nem sequer verificou a matrícula.
— Deve ser o meu, — disse baixinho e entrou rapidamente.
No banco de trás já estava um homem de cerca de quarenta anos, vestido com roupas tradicionais caras. Tinha uma expressão séria, uma barba bem cuidada e um olhar tão pesado que, normalmente, as pessoas evitavam olhar diretamente para os olhos dele.
Mas Leila estava cansada demais para prestar atenção nisso.
— Desculpe, — murmurou, sentando-se perto da porta. — Preciso de ir para a rua Al-Marin, número oitenta e dois.
O motorista à frente ficou imóvel durante alguns segundos.
O homem ao lado dela virou lentamente a cabeça e olhou para a jovem.
Leila já estava a fechar os olhos.
— Quase não dormi na noite passada, — acrescentou em voz baixa. — Se puder, acorde-me quando chegarmos.
Menos de um minuto depois, a jovem adormeceu. O motorista olhou pelo espelho retrovisor, claramente sem saber o que fazer.
O carro pertencia ao xeque Karim al-Hadid, um dos homens mais influentes do país. Havia muitos rumores sobre a sua família. Dizia-se que Karim possuía dezenas de empresas, enormes extensões de terra e várias casas luxuosas, e que as pessoas que se atravessavam no seu caminho acabavam por se arrepender muito.
Ninguém entrava no carro dele sem autorização. Muito menos uma desconhecida.
— Senhor, devo mandá-la sair? — perguntou o motorista com cautela.
Karim não respondeu. Continuou a observar a enfermeira adormecida.
A jovem estava sentada com a cabeça ligeiramente inclinada para a janela. Pelo rosto, dava para ver o quanto estava cansada. Ainda segurava o telefone numa mão, e no uniforme estava preso um pequeno crachá com o nome.
Karim olhou com mais atenção.
— Leila, — leu.
O motorista voltou a olhar pelo espelho.
— Talvez ela tenha confundido o carro com um táxi.
— Obviamente, — respondeu o xeque friamente.
Poucos minutos depois, o carro arrancou.
Com o barulho do motor, Leila acordou por um instante, mas não abriu os olhos. Ouviu as vozes dos homens à frente e pensou que voltaria a adormecer em breve.
E foi exatamente nesse momento que Karim começou de repente a falar em árabe. Estava claramente convencido de que a jovem, que tinham acabado de apanhar perto de uma clínica particular estrangeira, não entenderia nada, mesmo que estivesse apenas a fingir que dormia. Mas Leila falava árabe perfeitamente e, quando percebeu exatamente sobre o que o xeque estava a falar nessa língua, ficou paralisada de horror. 😱😢 A continuação da história está no primeiro comentário 👇👇
— Não a leves para o endereço que ela disse, — disse o xeque calmamente ao motorista.
Leila deixou imediatamente de respirar de forma tão regular.
Mas não abriu os olhos.
— Leva-a para a minha casa de campo, — continuou Karim. — Lá ninguém vai procurá-la até de manhã.
O motorista ficou em silêncio por um segundo.
— E se ela acordar?
Karim voltou a olhar para a jovem.
— Diz-lhe que estamos a caminho do endereço dela.
Um arrepio gelado percorreu as costas de Leila. Ela entendia árabe perfeitamente. Mas os homens nem sequer desconfiavam disso.
— Para que a quer, senhor? — perguntou o motorista em voz baixa.
Karim respondeu com tanta calma como se estivesse a falar da coisa mais normal do mundo:
— Ela é bonita. Vamos deixá-la em minha casa. Talvez se torne a minha quarta esposa.
Leila já não conseguiu ficar imóvel.
Abriu os olhos de repente e olhou primeiro para o xeque, depois para o motorista.
— Pare o carro!
O motorista assustou-se.
Karim percebeu imediatamente pela expressão dela o que tinha acontecido.
— Tu entendes árabe? — perguntou.
— Pare o carro agora mesmo! — gritou Leila.
O motorista ficou confuso e começou a travar junto à berma da estrada.
Assim que o carro quase parou, Leila agarrou a maçaneta da porta, saltou para fora e correu em direção a uma rua bem iluminada, sem sequer olhar para trás.
O xeque ficou sentado no banco de trás, olhando-a em silêncio enquanto ela se afastava.

