O rei prometeu casar-se com uma simples jovem do povo se ela conseguisse domar o seu cavalo selvagem. Mas o governante nem sequer imaginava que, apenas um dia depois, descobriria um segredo que mudaria a sua vida para sempre…

O rei prometeu casar-se com uma simples jovem do povo se ela conseguisse domar o seu cavalo selvagem. Mas o governante nem sequer imaginava que, apenas um dia depois, descobriria um segredo que mudaria a sua vida para sempre… 😮

Há várias semanas, em todo o reino não se falava de outra coisa senão daquele cavalo.

O rei havia comprado o animal de um famoso criador de cavalos de terras distantes. Era um enorme garanhão negro de uma raça extremamente rara. Uma fortuna incalculável havia sido paga por ele, e todos os cortesãos tinham certeza de que o rei agora possuiria o cavalo mais magnífico de todo o reino.

Mas tudo aconteceu de forma completamente diferente. Desde o primeiro dia, o garanhão recusou-se a reconhecer o novo dono.

Bastava o rei aproximar-se para o cavalo imediatamente baixar as orelhas, relinchar alto, empinar-se e bater os cascos no chão. Várias vezes ele quase derrubou os tratadores mais experientes e, certa vez, atingiu com tanta força o portão de madeira da baia que o partiu ao meio.

Quanto mais as pessoas tentavam dominá-lo à força, mais furioso o garanhão ficava.

Algumas semanas se passaram.

O cavalo quase parou de comer, dormia mal, permanecia constantemente nervoso e não deixava ninguém aproximar-se. Até mesmo os tratadores mais experientes começaram a ter medo de entrar na baia.

Certa manhã, um dos soldados decidiu colocar no garanhão uma pesada rédea de correntes.

O cavalo empinou-se de repente e atingiu o homem com um casco. O soldado permaneceu inconsciente durante vários dias. Depois desse incidente, todo o palácio foi tomado pela preocupação.

Alguns aconselhavam vender o garanhão a outro governante. Outros exigiam que se livrassem dele, pois consideravam um animal assim perigoso demais.

O próprio rei já começava a arrepender-se da compra. Foi então que ele notou uma jovem chamada Mary.

Ela era filha de um camponês pobre e havia começado recentemente a trabalhar no palácio como ajudante nos estábulos. Enquanto todos os outros tentavam manter distância do garanhão, a jovem aproximava-se discretamente da baia todos os dias e ficava durante muito tempo observando-o em silêncio.

Um dia, o rei viu-a perto do cavalo.

— Por que estás aqui? Não tens medo?

A jovem olhou calmamente para ele.

— Não sou eu quem deveria ter medo, mas ele.

O rei franziu a testa.

— O que queres dizer com isso?

— Este cavalo não está furioso por ser selvagem. Ele simplesmente já não confia em ninguém.

Os cortesãos trocaram olhares.

Ninguém jamais ousara falar com o rei de maneira tão direta.

Ele deu alguns passos na direção da jovem.

— Então, na tua opinião, os meus melhores homens não entendem nada?

— Eles tentam obrigá-lo a sentir medo. Mas o medo nunca gera confiança.

O rei sorriu com ironia.

— Muito bem. Se és tão sábia, tenta tu mesma.

A jovem permaneceu em silêncio. O rei continuou:

— Se conseguires domar este garanhão, realizarei qualquer desejo teu.

— Qualquer um?

— Qualquer um.

A jovem olhou-o diretamente nos olhos.

— Então quero tornar-me vossa esposa.

Um silêncio absoluto caiu sobre o pátio.

Um segundo depois, ouviu-se uma gargalhada estrondosa. Cortesãos, guardas e tratadores não conseguiam acreditar no que tinham ouvido.

O rei também começou a rir.

— És corajosa demais para uma simples jovem do povo.

— Talvez.

— Muito bem. Se amanhã este garanhão se submeter voluntariamente a ti, cumprirei a minha palavra.

Mary apenas assentiu calmamente. O rei tinha certeza de que nunca mais a veria. No entanto, no dia seguinte aconteceu algo que deixou todo o palácio e até o próprio rei completamente chocados. 😳🫣 A continuação desta história pode ser encontrada no primeiro comentário. 👇

Na manhã seguinte, quase todo o palácio reuniu-se diante do grande cercado. Todos queriam ver como terminaria aquela ideia insensata. Assim que o garanhão percebeu a multidão, começou imediatamente a ficar nervoso. Relinchava alto, batia os cascos no chão e corria de um lado para o outro dentro do cercado.

O rei observava tudo com um sorriso satisfeito.

Mary entrou lentamente. Não tinha chicote, cordas nem armas. O garanhão lançou-se imediatamente na direção dela.

A multidão gritou de medo. Mas a jovem nem sequer deu um passo para trás.

Quando restavam apenas alguns metros entre os dois, o cavalo parou de repente.

O pátio ficou tão silencioso que só se podia ouvir a sua respiração pesada.

Mary levantou lentamente a mão e começou a falar em voz baixa com o garanhão.

Ninguém conseguia ouvir as suas palavras. Quase um minuto se passou.

Aos poucos, o cavalo deixou de baixar as orelhas. Depois, deu cuidadosamente um passo à frente e baixou a cabeça por vontade própria.

A jovem acariciou lentamente o seu pescoço.

O garanhão chegou até a fechar os olhos. Um murmúrio de espanto percorreu a multidão. Mas o verdadeiro choque ainda estava por vir. Mary pediu que abrissem o portão.

Sem sela e sem a ajuda de ninguém, ela montou tranquilamente nas costas do enorme garanhão.

Todos esperavam que ele voltasse a ficar descontrolado.

Mas, em vez disso, o cavalo começou a caminhar lentamente pelo pátio, como se conhecesse a sua amazona há muitos anos.

O rei não conseguia desviar o olhar.

Quando a jovem voltou, ele aproximou-se imediatamente dela.

— Como conseguiste fazer isso?

Mary permaneceu em silêncio por alguns instantes.

— Quando ontem me aproximei da baia, vi sangue perto da crina dele.

O rei ficou surpreso.

A jovem afastou cuidadosamente a longa crina do garanhão.

Todos viram uma ferida antiga e profunda atrás da orelha, escondida sob os pelos grossos. Coberta por um ornamento caro, ela havia permanecido despercebida durante muito tempo e era constantemente irritada pela pesada rédea.

Sempre que as pessoas tentavam colocar-lhe um novo arreio ou puxavam bruscamente as rédeas, o animal sentia uma dor insuportável.

Era por isso que atacava.

O silêncio voltou a dominar o pátio.

Os melhores curandeiros examinaram imediatamente o garanhão e confirmaram as palavras da jovem.

Durante várias semanas, trataram a ferida, trocaram as bandagens e abandonaram completamente a pesada rédea.

Muito em breve, o garanhão tornou-se calmo, obediente e voltou a confiar nas pessoas.

Naquela mesma noite, o rei mandou chamar Mary novamente.

— Tu não salvaste apenas este cavalo — disse ele em voz baixa. — Também me salvaste do maior erro da minha vida. Eu queria punir um animal que apenas tentava mostrar que sentia dor.

A jovem sorriu.

— Às vezes, basta observar com atenção antes de tirar conclusões.

O rei permaneceu em silêncio durante muito tempo.

Depois, tirou do dedo um anel de ouro e estendeu-o a Mary.

— Dei a minha palavra diante de todo o palácio. E um rei não tem o direito de quebrar a sua promessa.

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