Uma idosa levou o marido paralítico para a floresta no meio da noite, numa velha carroça, e abandonou-o ali, esperando livrar-se dele e evitar a prisão. Mas, no dia seguinte, toda a aldeia ficou horrorizada com o que tinha acontecido naquela noite na floresta… 😨
Depois do derrame, a vida de Henry mudou de um dia para o outro. Até pouco tempo antes, ele caminhava sozinho pelo quintal, cortava lenha, cuidava da horta e ajudava os vizinhos.
Mas os braços e as pernas de Henry já não lhe obedeciam. Ele conseguia apenas virar um pouco a cabeça, falar e sentir os toques.
Durante as primeiras semanas, a sua esposa, Martha, tentou não demonstrar cansaço. Dava-lhe comida à colher, mudava a roupa da cama e ajudava-o a lavar-se.
No entanto, alguns meses depois, a sua atitude começou a mudar. Martha tornou-se irritadiça, rude e passou a deixar o marido sozinho durante o dia inteiro com cada vez mais frequência.
Quando o homem lhe pedia ajuda, ela suspirava profundamente e abandonava demonstrativamente as tarefas domésticas.
Depois dessas atitudes, Henry virava a cabeça para a janela e permanecia em silêncio. Sentia-se impotente e culpado, embora soubesse que não tinha escolhido aquela doença.
Foi nessa altura que um pensamento terrível surgiu pela primeira vez na mente da esposa.
Não muito longe da aldeia havia uma grande floresta. Os moradores raramente se aventuravam nas suas profundezas, pois ali viviam lobos. No inverno, eles aproximavam-se por vezes das casas e atacavam os animais domésticos.
Martha decidiu que, se abandonasse o indefeso Henry na floresta, ninguém descobriria a verdade. Diria que o marido tinha desaparecido misteriosamente durante a noite, e os habitantes da aldeia pensariam que ele tinha sido raptado ou que fora vítima de um acidente.
Nem sequer o facto de Henry ser fisicamente incapaz de sair sozinho da cama a fez desistir.
Na noite escolhida, Martha esperou até que as luzes de todas as casas vizinhas se apagassem. Depois, tirou do celeiro uma velha carroça de madeira que antigamente era usada para transportar feno.
Ao voltar para casa, a mulher aproximou-se da cama do marido. Amarrou-o com um tecido resistente, levantou-o com enorme dificuldade, colocou-o na carroça e deitou-o sobre o feno velho. Em seguida, cobriu-o com mais alguns montes de feno para que ninguém percebesse que havia uma pessoa ali.
Henry compreendeu imediatamente que algo terrível estava a acontecer.
— Para onde me estás a levar?
— Não faças perguntas.
— Martha, por favor, leva-me de volta para casa.
— Já não consigo viver assim — respondeu a mulher friamente. — Todos os dias são iguais.
— Eu sou o teu marido.
— Antes eras o meu marido. Agora limitas-te a ficar deitado à espera que eu faça tudo por ti.
Aquelas palavras magoaram Henry mais do que a própria doença. Ele tentou mexer uma mão, mas os dedos permaneceram imóveis.
Martha abriu o portão e começou a puxar a carroça em direção à floresta. As rodas rangiam sempre que passavam por uma pedra, por isso a mulher parava várias vezes e escutava para verificar se algum dos vizinhos tinha saído de casa.
Henry permanecia deitado sob o feno e sentia o ar frio da noite.
— Martha, não faças isso — implorou ele. — Deixa-me pelo menos perto da estrada. De manhã, alguém me encontrará.
A mulher sorriu com desprezo.
— Então contarás a verdade a toda a gente.
— Não direi nada a ninguém. Prometo.
— Já não acredito em promessas.
Eles entraram na floresta. A luz da lua quase não atravessava os ramos densos e, ao longe, ouvia-se de vez em quando um uivo estranho.
Henry voltou a falar:
— Estás a ouvir os lobos?
— Foi exatamente por isso que escolhi este lugar.
— Vivemos juntos durante quarenta anos. Será que, depois de todo esse tempo, não mereço pelo menos um pouco de compaixão?
Ela levou a carroça ainda mais para o interior da floresta e parou perto de uma ravina antiga. Não havia casas, estradas nem vestígios humanos ao redor.
Martha retirou uma parte do feno para que Henry pudesse respirar e depois virou a carroça de modo que o homem ficasse com o rosto voltado para a floresta.
— Não me deixes aqui — sussurrou ele. — Nem sequer conseguirei gritar por ajuda com força suficiente.
— Amanhã direi aos vizinhos que desapareceste. Todos te procurarão durante alguns dias e depois decidirão que aconteceu um acidente.
— Eles perceberão que eu não poderia ter saído sozinho.
— Inventarei alguma coisa.
Martha pegou no lampião e começou a regressar à aldeia. Henry chamou por ela várias vezes, mas a mulher nem sequer se virou.
A mulher esperava livrar-se do marido paralítico, mas, de manhã, toda a aldeia ficou chocada ao descobrir o que realmente tinha acontecido naquela noite na floresta. 😱 Esta história vai certamente interessar-vos. O final encontra-se no primeiro comentário. 👇👇
Alguns minutos depois, tudo voltou a ficar em silêncio. O homem permanecia deitado na carroça, olhando para as árvores escuras.
Pouco depois, ouviu-se o estalar de ramos nas proximidades. Vários lobos surgiram da escuridão. Aproximaram-se lentamente da carroça, pararam e começaram a farejar.
Henry fechou os olhos e preparou-se para o pior. Um dos lobos aproximou-se muito, olhou para o homem e, de repente, deitou-se no chão junto à roda. Os outros animais também não demonstraram agressividade. Simplesmente rodearam a carroça e permaneceram ali, como se estivessem a proteger aquele homem indefeso.
Entretanto, Martha caminhava para casa por um trilho estreito. Estava com pressa e olhava constantemente para trás, porque os uivos se tornavam cada vez mais altos.
A certa altura, surgiram silhuetas escuras à sua frente. A mulher levantou o lampião e viu outra alcateia de lobos.
— Vão embora! — gritou ela, agitando os braços.
Os animais não recuaram. Martha começou a correr, mas prendeu o pé nas raízes e caiu. O lampião escapou-lhe da mão e apagou-se. Alguns instantes depois, o seu grito ecoou pela floresta noturna e, em seguida, tudo ficou em silêncio.
Na manhã seguinte, uma vizinha percebeu que a porta da casa de Henry estava aberta. Entrou e viu a cama vazia.
— Martha! Henry! — chamou a vizinha.
Ninguém respondeu.
Os moradores da aldeia reuniram-se rapidamente no quintal. Os homens examinaram as marcas no chão e repararam nos rastos da carroça que levavam até à floresta.
— Henry não poderia ter saído sozinho — disse um dos vizinhos. — Alguém o levou daqui.
As pessoas pegaram em lampiões e cordas e seguiram os rastos. Pouco depois, encontraram o lampião apagado de Martha e, um pouco mais adiante, viram sinais de luta e pedaços das suas roupas. As mulheres que vinham atrás pararam horrorizadas.
Ao continuarem as buscas, os homens ouviram uma voz fraca.
— Ajudem-me… Estou aqui…
Correram na direção da voz e viram a carroça. Henry estava deitado sobre o feno e havia vários lobos ao seu lado. Ao verem as pessoas, os animais levantaram-se calmamente e desapareceram entre as árvores.
— Henry, o que aconteceu? — perguntou um dos homens, inclinando-se sobre ele.
Os olhos do idoso encheram-se de lágrimas.
— Martha trouxe-me até aqui e abandonou-me. Esperava que os lobos me despedaçassem.
— Mas eles não te fizeram mal.
— Ficaram deitados ao meu lado durante toda a noite. Um deles até aqueceu as minhas pernas com o próprio corpo.
Quando os moradores regressaram à aldeia e contaram tudo aos outros, ninguém conseguia acreditar no que tinha ouvido.

